Distúrbios do sódio em idosos: quando é preciso atenção.

Juliana Chaer
4 min
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Com o envelhecimento, o corpo passa por mudanças que afetam diretamente o equilíbrio de líquidos e sais minerais. Entre esses sais, o sódio é fundamental para o bom funcionamento do cérebro, dos músculos e da regulação da pressão arterial. Nos idosos, o controle do sódio no organismo torna-se mais delicado, o que aumenta o risco de alterações chamadas de distúrbios do sódio, principalmente hiponatremia (sódio baixo) e, com menor frequência, hipernatremia (sódio alto).

Por que o idoso é mais vulnerável?

Com o tempo, os rins perdem parte da sua capacidade de manter o equilíbrio da água e do sal no corpo. Isso ocorre devido a uma redução da função renal, menor resposta a hormônios reguladores (como o ADH e a aldosterona) e menor reserva funcional, o que significa que os rins envelhecidos têm mais dificuldade tanto para eliminar quanto para reter sódio, especialmente em situações de desidratação, doenças ou uso de certos medicamentos.

Hiponatremia: o distúrbio mais comum.

A hiponatremia ocorre quando os níveis de sódio no sangue ficam abaixo do normal. É o distúrbio eletrolítico mais frequente em idosos, principalmente em pessoas hospitalizadas ou que vivem em instituições. Estima-se que ela afete até 1 em cada 3 idosos hospitalizados.

Entre as principais causas estão:

  • Uso de medicamentos como diuréticos, antidepressivos e antipsicóticos;
  • Doenças como insuficiência cardíaca, doença renal crônica (DRC) e alguns tipos de câncer;
  • Alimentação pobre em proteínas e sal (comum em dietas muito restritivas);
  • Consumo excessivo de líquidos sem acompanhamento médico.

Em muitos casos, o idoso com hiponatremia pode não apresentar sintomas específicos, mas alterações leves nos níveis de sódio já aumentam o risco de quedas, fraturas, confusão mental, dificuldade de atenção e perda de autonomia. Nos casos mais graves, a hiponatremia pode causar sonolência intensa, convulsões e até coma, especialmente se a queda for rápida ou muito intensa.

Hipernatremia: quando o sódio está alto.

Menos comum, a hipernatremia acontece quando os níveis de sódio ficam muito altos, geralmente por desidratação. Isso é comum em idosos que bebem pouca água, têm demência, dificuldade de comunicação ou acesso limitado a líquidos. Além disso, com a idade, o corpo sente menos sede e a resposta dos rins ao hormônio ADH (que ajuda a reter água) também se reduz.

A hipernatremia pode provocar sintomas neurológicos graves, como confusão mental, tremores, convulsões e até coma, e requer correção cuidadosa, com reposição de líquidos feita de forma gradual.

Como prevenir e cuidar?

Para evitar os distúrbios do sódio, é importante:

  • Manter boa hidratação: a recomendação geral é de 1,5 a 2 litros de água por dia, salvo contraindicações médicas;
  • Ajustar a dieta: uma alimentação equilibrada, com quantidade adequada de sal e proteínas;
  • Evitar automedicação, especialmente com diuréticos ou laxantes;
  • Monitorar medicamentos que podem afetar o equilíbrio de sódio;
  • Acompanhar exames laboratoriais, especialmente em idosos com doenças crônicas, como insuficiência renal, cardíaca ou hepática.

O que fazer em caso de alteração nos níveis de sódio?

O tratamento da hiponatremia ou hipernatremia depende da causa, da gravidade e do estado clínico do paciente. Nos casos leves e estáveis, muitas vezes basta ajustar a ingestão de líquidos e a alimentação. Já nos casos graves, pode ser necessário tratamento hospitalar com soro intravenoso, sempre com controle rigoroso para evitar complicações neurológicas.

A correção dos níveis de sódio deve ser lenta e monitorada, especialmente em idosos, para evitar síndrome de desmielinização osmótica (um dano cerebral grave causado por correção rápida da hiponatremia) ou edema cerebral em casos de hipernatremia.

A importância do acompanhamento médico

Alterações no sódio são comuns, mas nem sempre dão sinais claros. Por isso, é essencial que pessoas idosas realizem acompanhamento regular com profissionais de saúde, especialmente se usam múltiplos medicamentos (polifarmácia), têm doenças crônicas ou estão em instituições de longa permanência. Com avaliação clínica cuidadosa e exames simples, é possível detectar precocemente alterações, prevenir complicações e manter a qualidade de vida.


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