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Como escolher um residencial para idosos?

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 Lidiane Nitsche

12 dez |

5 min

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Como médica geriatra, frequentemente recebo questionamentos de familiares de pacientes e até mesmo de pessoas que possuem vida ativa e sem qualquer dependência de terceiros – mas que já pensam em uma alternativa de moradia futura –, sobre como escolher um residencial para idosos.

Antes de tudo, é preciso compreender o motivo pelo qual um residencial está sendo procurado e certificar-se de que as demandas serão atendidas, pois existem muitos perfis de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPS) – desde a estrutura oferecida (ambiente, conforto, número de moradores), caráter público ou privado, equipe profissional e grau de dependência do morador (o quanto que necessita de auxílio para as atividades cotidianas como se alimentar, usar o banheiro, caminhar e manter o autocuidado).

Esta avaliação de Grau de Dependência é importante, pois existem residenciais destinados aos Idosos independentes de cuidados. As instituições responsáveis oferecem atividades voltadas à Qualidade de Envelhecimento com muitas atividades que promovam estímulo cognitivo, manutenção da performance física e comunicação interpessoal, e existem os residenciais destinados aos Idosos acamados, em uso de sonda de alimentação, uso de fraldas e total dependência de cuidados. Em ambos os cenários é importante que os profissionais envolvidos sejam muito bem capacitadas para o cuidado.

Grau 1: idoso independente para os cuidados
Grau 2: existe algum grau de dependente para alimentação, locomoção, autocuidado/higiene
Grau 3: dependente para os cuidados e/ou síndrome demencial

Os residenciais possuem Regulamentações Específicas RDC) para funcionamento, mas ainda assim recomendo fortemente que, antes de contratar este serviço, visitem o local e se inteirem de todas as informações e minúcias dos cuidados:

– Segurança da estrutura física (ambiente projetado e adaptado aos idosos como corrimão, piso antiderrapante, ambientes bem-iluminados, barras de proteção…).
– Cardápio elaborado por nutricionista e que na dinâmica da rotina as individualidades do Plano Alimentar sejam respeitados (por exemplo, diabéticos e adaptação da textura dos alimentos).
– Pertences pessoais, como roupas e objetos, podem ser levados ao residencial?
– Documentos, como Alvarás Sanitário e do Corpo de Bombeiros, Planos de contingências, Planos Individuais de assistência, Inscrição junto ao Conselho do Idoso.
– Dedetização, Limpeza da Caixa de água.
– O ideal é que não haja restrição de data/horário para visitas, então cheque se os horários de visitas são compatíveis com a sua rotina. Na era da tecnologia os Tablets são uma opção interessante quando bater a saudade em um horário inusitado.
– Higiene e Limpeza: visite a cozinha, os banheiros, os quartos e a lavanderia. Preste atenção nas paredes (mofo), no odor do ambiente, na iluminação, ventilação e roupas de cama/banho.
– Cheque o quadro de atividades que serão oferecidas para que os dias sejam atrativos, prazerosos e estimulem a movimentação do corpo, reabilitação, criatividade, cuidar dos próprios negócios, cognição, relaxamento, terapias e relações interpessoais (yoga, fisioterapia, dança, hortoterapia, aula de línguas, artes, meditação, digital class).
– Cheque se há médico capacitado responsável pelos cuidados e qual a disponibilidade dele junto ao residencial. Na ausência do médico, qual o plano para cobertura de urgências/emergências? Os mais modernos possuem as tecnologias de smartwatch com monitoramento contínuo.
– Nutricionista, Educador físico, Fisioterapeuta, Psicólogo… Quem mais faz parte da Equipe multiprofissional? Essa equipe atende às minhas demandas ou do meu familiar?

Existem lares dos mais econômicos até os que oferecem um serviço mais personalizado e diferenciado e isso implicará em custos, mas mesmo os mais simples precisam destes aspectos listados e, não menos importante, esteja atento sobre COMO OS IDOSOS SÃO TRATADOS: Questione os residenciais que infantilizam os idosos e que não valorizam a trajetória e sabedoria de uma vida inteira. O ideal é que os Residenciais tenham um pensamento livre de preconceitos e que quebre os estigmas em relação ao Etarismo, que preservem o respeito à Autonomia do Idoso, à sua Biografia e à Dignidade de Vida Humana. Então procure perceber qual a filosofia do lugar, os valores, o grau de comprometimento da equipe e se tudo aquilo faz sentido para vocês – afinal, essa será uma nova grande FAMÍLIA.

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