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Infecção urinária de repetição em idosos

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Juliana Chaer

01 jan |

5 min

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A infecção do trato urinário (ITU) é uma condição comum entre pessoas idosas, especialmente mulheres. Quando os episódios se tornam frequentes, o quadro passa a ser classificado como infecção urinária de repetição ou ITU recorrente, definida como dois ou mais episódios em seis meses, ou três ou mais em doze meses, sendo importante que ao menos uma dessas ocorrências tenha sido confirmada por urocultura.

Entre os principais fatores de risco para ITU recorrente em idosos estão: idade avançada, sexo feminino, diabetes, alterações anatômicas ou funcionais do trato urinário, incontinência, retenção urinária, uso de cateteres, e histórico de cirurgias urogenitais. O envelhecimento também está associado a mudanças na imunidade e no epitélio urinário, o que pode favorecer infecções. Além disso, a presença de bacteriúria assintomática (bactérias na urina sem sintomas) é bastante comum nesse grupo e não deve ser tratada com antibióticos, salvo em situações muito específicas.

A abordagem da ITU de repetição em idosos deve ser sempre individualizada, com avaliação cuidadosa do histórico clínico, comorbidades e uso de medicamentos. A confirmação diagnóstica é essencial para evitar tratamentos desnecessários que possam gerar resistência bacteriana e efeitos adversos. Em termos de prevenção, a prioridade deve ser dada a estratégias não farmacológicas, como:

  • Manter hidratação adequada, com ingestão regular de água;
  • Realizar higiene íntima correta;
  • Evitar a retenção urinária e esvaziar a bexiga após relações sexuais;
  • Reduzir ao máximo o uso de sondas urinárias;
  • Controlar doenças associadas, como diabetes;
  • Promover o manejo adequado da incontinência;
  • Orientar cuidadores sobre cuidados com a saúde urinária.

Além dessas medidas comportamentais, existem opções não antibióticas que podem ser consideradas de forma individualizada, como produtos à base de cranberry, D-manose, metenamina hippurato, probióticos e glicossaminoglicanos. Embora a eficácia varie entre os estudos, são geralmente seguros e bem tolerados.

Um destaque importante é o uso de estrogênio vaginal em mulheres idosas pós-menopáusicas, que tem forte evidência de eficácia na prevenção de ITUs recorrentes. Essa abordagem ajuda a restaurar o epitélio urogenital e o equilíbrio do microbioma vaginal, reduzindo a colonização por bactérias patogênicas. O estrogênio vaginal é considerado a estratégia farmacológica de primeira linha para prevenção nesse grupo, com um perfil de segurança bastante favorável. Já o uso de estrogênio sistêmico não é indicado para esse fim.

A profilaxia antibiótica contínua ou pós-coito pode ser indicada apenas em casos refratários, quando todas as demais medidas falharam. Nesse cenário, é fundamental avaliar função renal, hepática, interações medicamentosas e o risco de efeitos adversos, especialmente em idosos polimedicados e frágeis. Agentes como nitrofurantoína, fosfomicina ou trimetoprima podem ser utilizados, com monitoramento rigoroso.

Para pacientes institucionalizados ou com múltiplas comorbidades, o cuidado deve ser ainda mais criterioso. Planos de cuidado individualizados, com reavaliação periódica dos riscos e benefícios das intervenções, são fundamentais. O foco deve estar sempre na segurança do paciente, na preservação da função e na qualidade de vida.

A prevenção de infecções urinárias de repetição em idosos deve priorizar intervenções seguras e bem toleradas, com uso racional de antibióticos. Estimular a hidratação, evitar fatores de risco evitáveis, considerar o uso de estrogênio vaginal e avaliar com cuidado qualquer indicação de antibiótico são passos essenciais para um cuidado responsável e eficaz.

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